Dai-nos a sabedoria 

      Salomão é elogiado por Deus, pelo fato de não ter pedido saúde, sucesso, vida longa, prosperidade, mas sabedoria. Alguns enfoques da sabedoria sobressaem em nossos dias. São eles:

  1. Ter objetivos. Nossa vida deve ter rumo, rota, objetivo, meta e principalmente ideais. Para quem não tem rumo, todos os caminhos são errados. Se não há um porto, uma âncora, o piloto do navio não sabe para onde ir. Sem objetivos claros, a gente perde o essencial e se perde nas coisas periféricas.
  2. Recomeçar. Errar, fracassar, pecar são realidades co-naturais a nós, mas a sabedoria e a novidade está em recomeçar. A esperança nos leva a tentar de novo. Quem cai mil vezes pode levantar-se mil e uma vezes. Nunca é tarde para recomeçar.
  3. Esposar o presente. É viver o agora. Não apegar-se ao passado nem iludir-se com o futuro. A vida é sempre um agora. Permitir que o agora aconteça e libertar-se das preocupações, é caminho da serenidade e da paz.
  4. Não se omitir. Os maus são atrevidos, os bons são acanhados. A omissão é uma ação má, porque anula o poder das soluções. Nossas omissões impedem que o mundo seja melhor. Os omissos são fortes nas críticas e fracos no agir. O que na vida a gente não resolve, a vida devolve. Quem se poupa não cresce, não sai do infantilismo.
  5. Coragem de errar. Não erra quem não faz. O medo da crítica nos amarra e o medo de perder nossa imagem, impede a maturidade e tira a liberdade. O medo de errar leva-nos à mesmice, à rotina, à dependência dos outros. Errando sofremos, mas aprendemos e amadurecemos.
  6. Criatividade. Ter iniciativas, ter a coragem de agir, gerar coisas novas, colocar os dons à disposição, fará de nós geradores de vida, inventores de soluções, construtores de pontes, con-criadores de Deus, forjadores de novas idéias e valores. Quem é criativo colabora com o criador.
  7. Disciplina. É o autodomínio, a decisão de corrigir-se, é a fidelidade aos compromissos, à aceitação da renúncia para superar defeitos e colaborar com a civilização do amor. Sem disciplina, somos escravos dos instintos, submissos às facilidades, folgados e onipotentes em relação aos outros.
  8. Administrar o tempo. Já foi dito que o tempo é ouro e que o tempo é questão de preferência. Grandes personalidades têm tempo para o lazer, para os amigos e para Deus. “Vós sois o tempo”, diz Santo Agostinho. Não devemos ser escravos do relógio, nem ociosos frente o tempo que nos é dado. Amar o que fazemos, viver o presente, ser agradecidos é administrar bem o tempo.
  9. Informar-se. Sem informação estamos fora da realidade. Nossos livros diários são o jornal e a Bíblia. A pessoa desinformada é anacrônica, alienada, cega. Informação é também formação e conscientização. Estar informado é acompanhar a história, os acontecimentos e a vida social.
  10. Aprender com os erros. Culpabilização não leva a nada. Os erros são escola de vida e amadurecimento. Nossa fraqueza pode ser nossa grandeza. Os pontos fracos tornam-se os pontos fortes. Quem cai no fundo do poço, encontra lá a fonte que diz: eu tenho sede de você. Frente aos erros não devemos nos condenar, nem nos justificar, mas aprender para não recair.
  11. Livrar-se das pessoas negativas. Isso não significa rejeitá-las, mas não deixar-se influenciar por elas. Livrar-se das pessoas negativas significa rezar enquanto elas falam, colocar uma tela imaginária entre nós e elas, dar-lhes o perdão pela compreensão, desviar sua fala para algo positivo, abençoá-las interiormente. Em casos graves, desviá-las. Senhor, dá-nos a sabedoria.
  12. Perdoar. O perdão é a melhor resposta ao mal porque coloca limites à violência, livra-nos das mágoas, tristezas, raivas e doenças. Perdoar não é justificar o erro, nem deixar-se explorar. O perdão também exige justiça, mas vai além, porque brota da compreensão, da tolerância, da nobreza. “O perdão é a vingança de Deus” diz Bento XVI. O perdão ajuda a viver bem e a conviver em concórdia e paz.


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